As mulheres e o mercado de trabalho

mulheres e o mercado de trabalho

As mulheres precisam ocupar mais cargos inclusive nas posições hierárquicas mais altas. Só assim as empresas realmente vão mostrar que estão preocupadas com a oxigenação de seu quadro profissional.

Por Luiz Gustavo Mariano

Em 8 de março, o Dia Internacional das Mulheres, a sensação de que estaria ocorrendo progressos foi por água abaixo quando li uma reportagem no Estadão que afirma que, por causa da pandemia, a participação das mulheres no mercado de trabalho é a menor em 30 anos.

Por que isso ocorreu? Por motivos que conhecemos há bastante tempo. As medidas de isolamento social colocaram as pessoas dentro de casa. Assim, o trabalho doméstico aumentou. Quem ficou encarregada de cuidar dessas tarefas? A mulher, que também está tendo de dedicar boa parte do dia a dia às crianças e idosos.

De acordo com a reportagem, a parcela de mulheres que estão ocupadas ou em busca de um trabalho chegou a 46,3% no segundo semestre de 2020. E desde 1991 o número não ficava abaixo de 50%.

“Com a pandemia, muita gente deixou de procurar trabalho. Ficou arriscado sair de casa e o mercado não está receptivo. No caso das mulheres, o problema foi agravado porque os cuidados com a casa costumam recair mais sobre elas”, falou o economista Marcos Hecksher, do IPEA.

Outro bom artigo que nos ajuda a entender onde estamos e por que algumas coisas estão ocorrendo é este aqui, da escritora Hanna Rosin, publicado na revista New York.

A Hanna é autora de um livro editado em 2012 e intitulado “The End of Men: And the Rise of Women” (em tradução livre: O final do homem: e o crescimento das mulheres). Ela começa o artigo afirmando que o otimismo de antes desapareceu. “As mulheres americanas chegaram a metade da força de trabalho com um apoio institucional insignificante e nenhuma comoção cultural. Esse tipo de milagre é difícil de sustentar. E não o sustentamos. A pandemia nos trouxe de volta aos nossos níveis mais baixos de participação na força de trabalho desde 1988.”

E ela cita um estudo que aponta que, em setembro de 2020, 865 mil mulheres deixaram o mercado de trabalho nos EUA, contra 216 mil homens. Por que tanta diferença? Devido ao mesmo problema que ocorre por aqui: recai sobre as mulheres tarefas domésticas e relacionadas a filhos, enquanto os homens tendem a permanecer no mercado.

É preciso mudar urgentemente essa cultura. As mulheres precisam ocupar mais cargos inclusive nas posições hierárquicas mais altas. Só assim as empresas realmente vão mostrar que estão preocupadas com a oxigenação de seu quadro profissional. E isso só vai trazer benefícios a uma organização.


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