Carreira depende de estratégia, não de tática

Carreira depende de estratégia, não de tática

Assim como no mercado financeiro, o desenvolvimento e a construção de uma carreira sólida e agradável depende de planos de ação eficientes, que visam benefícios a longo prazo

Por Luiz Gustavo Mariano

No mercado financeiro, os gestores de patrimônio familiar ou de wealth management dos bancos de investimento desenham a estratégia de investimento de alguém (ou de uma empresa etc.) por meio de uma metodologia que tem como base o perfil dessa pessoa: essa estratégia poderá ser conservadora, moderada, arrojada ou agressiva.

Geralmente, a recomendação é que 90% do seu ganho sairá da alocação estratégica dentro do seu perfil, que visam ganhos no longo prazo; o restante será de movimentos táticos, que pretendem capturar oportunidades específicas de mercado no curto prazo. Dessa maneira, uma pessoa de perfil moderado poderá ter, por exemplo, 60% do investimento alocado em fundos atrelados à renda fixa; 20% atrelado a fundos multimercado; e 20% distribuídos em ações e fundo cambial/internacional.

De acordo com flutuações do mercado, há um direcionamento pontual da carteira. Se o mercado de ações flutuar, a pessoa moderada pode mexer no portfólio: colocar 50% em fundos conservadores e aumentar a posição em bolsa de 5% para 10%, por exemplo.

Mas especialistas dizem que, no longo prazo, 90% do ganho no mercado financeiro ocorrerá graças à carteira recomendada de acordo com o seu perfil estratégico. O curto prazo (movimentos táticos) não vai corresponder a mais de 10% dos ganhos. Assim, é sempre recomendável respeitar o seu perfil, pensando no longo prazo.

A mesma lógica pode ser usada em outra situação: o desenvolvimento e a construção da carreira. Vamos usar como exemplo uma pessoa que começa a trabalhar com 24 anos, já depois de passar como estagiária ou trainee. Essa pessoa espera trabalhar até os 65 anos. O recomendável aqui é que esse profissional tome decisões tendo como objetivo o longo prazo – a construção de uma carreira que faça com que esse profissional chegue aos 65 anos se sentindo realizado.

Mas vejo que, na prática, muita gente faz movimentos de carreira pensando no curto prazo. Aceitam mudar de empresa porque recebem uma proposta que aumentará o salário em 15%, 20%. Esse tipo de decisão deveria estar ancorada na estratégia de longo prazo, e não em uma tática imediata.

Faço uma analogia com o mercado financeiro: esses movimentos táticos, voltados para o curto prazo, vão representar o que dentro da estratégia de carreira de longo prazo? Quando a pessoa estiver com 65 anos e olhar para trás, será que esses movimentos táticos terão tido uma influência realmente benéfica e duradoura na sua evolução profissional? Será que eles realmente ajudaram a pessoa a construir uma carreira em instituições que têm valores parecidos com os dela? Será que ela teve a chance de conviver com o tipo de profissional que desejava?

Muitas vezes, animadas com ganhos pontuais e relativamente pequenos (ou até mesmo por uma ansiedade em apressar o crescimento da carreira), as pessoas acabam deixando de lado o macro (a trajetória de longo prazo) e privilegiam o micro (uma recompensa de fôlego curto, como um salário um pouco maior).

Será que é mais vantajoso trocar de empresa para ganhar um pouco a mais ou seria mais prudente continuar na atual companhia para, no futuro, construir uma trajetória mais sólida e consistente? É sempre bom avaliar se um movimento é tático ou estratégico.


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