O que as Olimpíadas nos ensinam?

o que as olimpiadas nos ensinam

Inspirado pelo talentosíssimo Ítalo Ferreira, pela fadinha Rayssa Leal e por tantos outros atletas (brasileiros ou não) decidi pesquisar a respeito desses jogos e de suas tradições.

Por Luiz Gustavo Mariano

Você já parou para pensar em por que as Olimpíadas existem? Quando começaram a ser realizadas? Inspirado pelo talentosíssimo Ítalo Ferreira, pela fadinha Rayssa Leal e por tantos outros atletas (brasileiros ou não) decidi pesquisar a respeito desses jogos e de suas tradições. E me chamou a atenção as semelhanças que existem entre o mundo dos esportes e a nossa realidade corporativa.

As Olimpíadas surgiram na Grécia Antiga e eram realizadas na cidade de Olímpia (daí o nome). Cidadãos de diversos lugares se reuniam para disputar competições, entre elas as de corridas. No final do século 19, com o objetivo de celebrar o esporte e a união entre os povos, foram criados os Jogos Olímpicos da Era Moderna. Esta edição, em Tóquio, é a de número 32. E, seja pela televisão ou pela internet, as disputas e as atitudes dos atletas nos ensinam diversas lições que deveriam ser compreendidas por executivos e líderes.

Uma delas: saber perder. O que é saber perder? Significa não conseguir atingir um objetivo e ficar resignado? Não. Significa entender o que ocorreu, por que o adversário (a concorrência) saiu-se melhor, entender o contexto e a partir daí recomeçar novamente, de cabeça erguida, com o propósito de superar obstáculos sem cometer os mesmos erros.

Foi o que fez, por exemplo, Ítalo Ferreira. O potiguar estreou no principal campeonato do surfe em 2015. Em 2017, ficou em 22º lugar. Não se deu por vencido. Em 2019, foi o campeão. E agora ganhou a medalha de ouro em Tóquio. Ou seja: não tem a ver com perder, mas, sim, em saber levantar no dia seguinte.

Uma lição que Ítalo nos ensina: temos de ter resiliência e perseverança.

O esporte também nos mostra que nunca devemos nos acomodar. A seleção feminina de basquete dos EUA estreou em Tóquio na terça (27). Elas ganharam os últimos seis ouros olímpicos. Não perdem uma partida em Olimpíadas desde os Jogos de 1996. Mas você acha que elas estão satisfeitas? Nesta terça, chegaram à 50ª vitória seguida. Não há sinais de que elas estejam acomodadas – porque sabem que as outras seleções estão melhorando, há novas jogadoras surgindo e a competição tende a ficar cada vez mais acirrada.

Principalmente nas modalidades coletivas, o esporte é ótimo exemplo para destacar a importância de uma boa liderança e do trabalho em equipe. Já vi e li diversos treinadores e treinadoras contando como fazem para motivar as suas equipes. É importante mostrar como chegar a um objetivo, mas um bom treinador deve saber a hora de ouvir. Em vez de apenas passar sermão, ser visto pelos atletas como um mentor. Que sabe falar e sabe ouvir. Além disso, o esporte incentiva os atletas a colaborarem entre si, a entenderem os pontos fortes e fracos uns dos outros. Como no vôlei, em que um ponteiro ou o líbero ficam próximos ao levantador para que este não seja o responsável por receber o saque do time adversário.

Por fim, o esporte nos ensina uma qualidade indispensável nos negócios: a disciplina. Atletas de alto nível seguem uma alimentação adequada, treinam constantemente, observam os adversários. Sem essa disciplina, não há talento que faça um atleta chegar ao pódio. Não é preciso ser implacável consigo mesmo; é preciso entender que se você não quiser, ninguém vai querer por você.

Deixo aqui algumas outras lições que o esporte pode nos ensinar:

  • Meritocracia: o negócio não é menosprezar quem fez menos, mas em todos aprenderem com quem fez mais e melhor. E compartilhar o conhecimento para evoluirmos;
  • Time: lutar em conjunto e criar um ciclo virtuoso;
  • Oportunidade: não é preciso baixar o sarrafo, mas garantir que todos tenham as mesmas chances e condições;
  • Vencer: significa deixar um legado para as próximas gerações, mostrando o que vale a pena;
  • Respeito: quando perder, aceitar que o adversário fez melhor; quando ganhar, acolher o concorrente;
  • Tomada de decisão: pode ser feita a cada microssegundo, criando estratégias e alterando a execução; não fique preso em algo que está dando errado.


As Olimpíadas mostram o que somos capazes como raça humana, e não que somos melhores uns do que os outros.

O esporte me ensinou muito. Tentei ser atleta, fiz de tudo um pouco, e o tênis foi o que me formou como ser humano. Se todos brasileiros, de todas as classes, tivessem a oportunidade de aprender e experimentar o esporte, o nosso país seria outro. Imagine um país que carregue os valores do esporte!


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